sábado, 26 de junho de 2010

ALMA DE MULHER

Maria Lucia Victor Barbosa

24/06/2010



Duas mulheres estão disputando a presidência da República: Marina da Silva, aparentemente frágil, figura feminina doentia, voz fininha. Como ex-petista Marina terá sempre alma de PT em que pese estar por circunstâncias políticas no PV. Sem chances de vencer, num eventual segundo turno ela certamente dará apoio a Dilma Rousseff, candidata que há dois anos vem sendo conduzida em campanha por seu criador político, Lula da Silva. Na convenção festiva do PT que oficializou Rousseff, obedientes petistas cantaram a plenos pulmões: “Lula tá com ela, eu também to”.

Como pesquisas detectaram que Rousseff tem pior desempenho do que o candidato do PSDB, José Serra, no eleitorado feminino, o marqueteiro João Santana investiu na exaltação da mulher e na feminilização da candidata, que na convenção leu com sua voz rascante um longo e enfadonho discurso capaz de fazer dormir militante petista.

Santana se concentrou na esfera psicológica, elemento fundamental da propaganda enganosa capaz de convencer pessoas a comprarem produtos de má qualidade que não lhes são necessários.

Retoques físicos obtidos com primorosa plástica, aplicações de botox, penteados sofisticados, sobrancelhas arqueadas adequadamente, maquiagem de artista de novela operaram milagres na senhora sessentona de modos rudes. Mas, qual o truque para mudar uma personalidade? Isso é tarefa impossível. Entretanto, assim como o truculento ex-sindicalista foi momentaneamente transformado no “Lulinha paz e amor”, por que não confeccionar uma “Dilminha ternura” sob encomenda do chefe?

Na preparação para a entrada triunfal da “grande estadista” na convenção foram exibidos vídeos da Princesa Isabel, Anita Garibaldi, Chiquinha Gonzaga, Maria da Penha. Naturalmente, a intenção era passar a idéia de uma Rousseff superior a todas elas. Faltou a Santana a idéia de compará-la á Imaculada Conceição, já que o piedoso irmão leigo, Frei Betto, chamou Lula da Silva de “luz do mundo”, privilégio que antes pertencia a Jesus Cristo.

Estrategicamente não foram mencionadas, entre outras: a ministra Zélia Cardoso de Melo que detonou o governo Collor com a expropriação da poupança; a petista Benedita da Silva, expelida do ministério por conta de algumas, digamos, extravagâncias em gastos; a petista, braço direito de Rousseff, senhora Erenice, hoje ocupando o lugar da ex-ministra e que, junto com a chefa sofreu acusações que se desmancharam no ar, relativas à habitual tática dos “aloprados” do PT de confeccionar dossiês para difamar concorrentes políticos.

Na verdade, várias mulheres em cargos públicos são incompetentes ou se comportam de maneira nada edificante, exatamente como homens incompetentes e corruptos, o que prova que não basta ser mulher ou homem, branco ou negro, pobre ou rico para assumir o poder. Para governar, sobretudo um país, é necessário ter experiência que prove competência, biografia que demonstre honestidade, liderança confirmada, ideal voltado para o bem-comum. O resto é mistificação, populismo barato, empulhação de eleitor incauto.

Isso não quer dizer que a mulher não possa se sair bem na política. Grandes governantes entraram para a história como, por exemplo, a rainha Elisabeth da Inglaterra, Indira Gandhi na Índia, Golda Meir em Israel, Margareth Tatcher na Inglaterra, Violeta Chamorro na Nicarágua. Entretanto, como disse Indira Gandhi: “Não me considero uma mulher fazendo política, mas, sim, uma pessoa exercendo um ofício”.

No discurso da convenção Rousseff prometeu que fará um governo como o de Lula, mas “com alma e coração de mulher”. O que será que a colérica Rousseff entende por alma de mulher?

Numa idealização da “alma de mulher” direi que podemos, entre outras coisas, sermos generosas, compreensivas, pacientes, atributos, aliás, inerentes ao maravilhoso dom da maternidade. No comportamento muitas de nós somos graciosas, sedutoras, sensuais, encantadoras no jeito de andar e falar. No dia-a-dia de muitas mulheres se encontram heroínas que amparam, consolam, lutam pela existência, protegem a família.

Nem todas possuem tais características, é claro. Existem mães que matam os filhos, megeras que infernizam a vida alheia, ignorantes que danificam suas vidas e a de outros, mulheres nada graciosas que andam com passadas de guarda de campo de concentração, sempre dando ordens com vozes desagradáveis feitas para o comando.

Parece, porém, que essa coisa de alma virou moda. Até Michel Temer disse que o “PMDB vai entrar em campanha com sua alma, e não apenas com seu raciocínio”. Alguns eleitores mais atilados conhecem bem a “alma e o raciocínio” de José Sarney, Renan Calheiros...

De qualquer modo, se Rousseff ganhar não teremos uma mulher na presidência da República. Como inferior e submissa ao homem ela apenas esquentará o lugar para Lula da Silva que pretende voltar em 2014. Assim os homens do PT traçaram sua manutenção no poder. E se a herança maldita pesar foi a mulher que não soube fazer como a “luz do mundo”. Afinal, só Lula da Silva tem alma.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

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segunda-feira, 14 de junho de 2010

A MARCHA DA ESTUPIDEZ

Maria Lucia Victor Barbosa


13/06/2010

O PT aprendeu depois de muitas derrotas como chegar ao poder mais alto da República e nele se manter. Trocou o discurso revolucionário pelo discurso pragmático, utilizou em grande escala a propaganda que engana incautos e aquece emoções, fez acordos com forças políticas e econômicas inimagináveis nos tempos dos petistas éticos, mas não esqueceu o aprendizado anterior de fazer oposição de forma violenta, ameaçadora, implacável, diante da qual nenhum partido ousou o enfrentamento adequado, nem mesmo quando estouraram os escândalos que teriam derrubado qualquer presidente da República fosse ele de outro partido.

Uma vez enquistado no poder foi trabalhado o projeto de permanência do PT, estipulado por José Dirceu em pelo menos 20 anos, enquanto Lula da Silva sempre se referia a quatro anos e depois a oito anos como períodos muito curtos para realizações pretendidas.

Sem dúvida, a meta de se manter no mais alto domínio do país foi planejado com esmero. A figura presidencial foi trabalhada com requintes de culto da personalidade, próprios de governantes ególatras. Estimularam as performances circenses de um Lula, que por vezes lembram as de um animador de auditório. E ele cultivou o palavreado chulo, o comportamento inadequado, os atropelos da linguagem na busca de identificação com as massas.

Mas isso não bastava. Além de circo o povo quer pão. O governo petista seguiu à risca a “herança maldita” e até agora tem se dado bem com o importante respaldo do Banco Central sob o comando de Henrique Meirelles, ex- tucano, ex-liberal, hoje PMDB.

Ao mesmo tempo, deu certo a fórmula: bolsas esmola no melhor estilo do voto de cabresto para pobres agradecidos; lucros astronômicos para os ricos, principalmente banqueiros, empreiteiros, grandes empresários. Quanto aos intelectuais, artistas, clérigos, mantiveram o encantamento pelo “proletário de esquerda”.

O Congresso foi anexado ao Executivo através de “mensalões”. O Judiciário sempre pronto para exercer o direito alternativo sujeitou-se ao deboche de Lula da Silva que se crê acima da lei.

Se a herança maldita do PT que inclui loteamento do Estado pelos companheiros, dívidas perdoadas a outros países, esdrúxulas criações de embaixadas como a da Coréia do Norte, mimos aos companheiros e compadres da América Latina que usam e abusam do Brasil, fulminar o próximo presidente, melhor. O caminho está preparado para a volta de Lula da Silva que, alias já se lançou ao terceiro mandato em 2014.

Contudo, se para uso interno o plano de José Dirceu funcionou, a política externa sob o comando de Marco Aurélio Garcia auxiliado, por Celso Amorim, tem sido um retumbante fracasso. O Brasil tem perdido todos os cargos importantes a nível internacional. Faz questão de proteger terroristas e assassinos como Cesare Battisti e outros mais. Dá apoio aos piores ditadores que desrespeitam direitos humanos. Contudo, a patacoada em Honduras, quando a mando de Hugo Chávez o Brasil abrigou em sua embaixada Manoel Zelaya, o pretensioso e ridículo papel de Lula da Silva junto a israelenses e palestinos prometendo-lhes a resolução de seus complexos problemas, não foram nada diante da peça de teatro mambembe dedicada ao astuto companheiro Mahmoud Ahmadinejad.

O resultado da aventura, que teve como única aliada a Turquia, foi a paulada mais monumental já recebida por nossa política externa. O Brasil ficou praticamente falando sozinho no Conselho de Segurança da ONU quando sanções foram votadas contra o Irã. Todos os membros votaram a favor, o Líbano se absteve e a Turquia por pouco não deixou o Brasil na mão.

Mesmo assim, de forma totalmente arrogante e estulta, Lula da Silva e Amorim cantaram vitória. Para uso interno, vá lá, para uso externo não funcionou, pois além de tudo isso ser desmoralizante para o Brasil já começam a entender lá fora quem é de fato o “cara’”.

Mas, por que as sanções são necessárias. Por que o Irã não pode ter a bomba atômica que está prestes a fabricar? Porque o Irã se localiza em zona de tensão, porque o país está sob a égide do perigoso fundamentalismo mulçumano, porque Ahmadinejad já declarou com todas as letras que sua gana de destruição começará por Israel, porque qualquer ataque nuclear não terá vencedores nem perdedores, porque não sobrará nada.

Note-se que Ahmadinejad, que riu das sanções e já ameaça bloquear petróleo para outros países personifica a marcha da estupidez que deixa o planeta numa de suas fases das mais perigosas. Certamente o persa tem adeptos além de Lula, como Fidel Castro que emergiu de seu sarcófago para dar apoio a Ahmadinejad e perverter os fatos ao dizer que Israel é que quer atacar o Irã.

Certamente Lula da Silva gostou do humor negro do déspota cubano a quem chama carinhosamente de democrata. Ele e Fidel lembram um filme passado há tempos: “De como aprendi amar a bomba atômica”. Ambos estão engajados na marcha da estupidez, sob o comando de Ahmadinejad.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

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terça-feira, 8 de junho de 2010

Esses Judeus Problemáticos



Retirado da RUA JUDAICA

Por: Charles Krauthammer
The Washington Post – 04. junho. 2010

O GLOBO 8 de junho de 2010

O mundo está indignado com o bloqueio de Gaza por Israel. A Turquia denuncia a sua ilegalidade, a desumanidade, a barbárie, etc. Os suspeitos de praxe que participam da ONU o Terceiro Mundo e a Europa se juntam. A administração Obama treme.

Mas como escreve Leslie Gelb, que é o ex-presidente do Conselho de Relações Exteriores, o bloqueio não é apenas perfeitamente racional, mas é perfeitamente legal. Gaza está sob o domínio do Hamas que é inimigo autodeclarado de Israel – e esta autodeclaração é acompanhada por mais de 4.000 foguetes disparados contra civis que moram em território israelense.

Muito embora se comprometendo e se empenhando numa incessante beligerância, o Hamas reivindica ser a vítima, mesmo quando Israel impõe um bloqueio para impedir que esse mesmo Hamas se arme ainda com mais foguetes. Na II Guerra Mundial, com uma legalidade internacional completa, os Estados Unidos mantiveram o bloqueio para a Alemanha e o Japão. E em outubro de 1962, durante a crise dos mísseis, os EUA colocaram em prática o bloqueio ("quarentena") de Cuba. Navios russos com armas que seriam entregues para Cuba voltaram porque os soviéticos sabiam que a marinha americana os abordaria ou iria afundá-los. No entanto, Israel é acusado de ser um criminoso internacional por fazer exatamente o que John Kennedy fez: por em prática um bloqueio naval para impedir que um Estado hostil adquira armamentos letais.

Oh, mas os navios que iam para Gaza não estavam numa missão de ajuda humanitária? Não. Caso contrário, teriam aceitado a oferta de Israel para que levassem o que transportavam para um porto israelense para inspeção relativa a materiais militares e o restante transportado por Israel para Gaza – pois todas e a cada semana 10 mil toneladas de alimentos, remédios e outros suprimentos humanitários são enviados por Israel para Gaza. Então porque essa oferta foi recusada? Porque, como a própria organizadora Greta Berlin admitiu o objetivo da flotilha não era o socorro humanitário, mas sim a quebra do bloqueio, ou seja, o término das inspeções por Israel, o que na prática significaria a navegação ilimitada para Gaza e, portanto, o fornecimento ilimitado de armamentos para o Hamas.

Israel já interceptou por duas vezes navios pesadamente carregados de armas iranianas destinadas ao Hezbollah e para Gaza. Que país permitiria isso? Mas ainda mais importante, por que Israel ainda tem que utilizar o bloqueio? Porque, o bloqueio é uma forma de defesa no mesmo momento que o mundo deslegitima o direito de Israel de se defender – de forma antecipada e pró- ativa.

(1) Defesa antecipada: Por ser um pequeno país densamente povoado cercado por países hostis, Israel durante mais da metade de um século adotou este tipo de defesa – lutando as guerras em território inimigo (como no Sinai e Colinas de Golã), e não no seu próprio território. Sempre que possível (o Sinai, como um bom exemplo), Israel trocou territórios por paz. Mas quando as ofertas de paz foram recusadas, Israel manteve espaços como zonas tampão de proteção. Assim, Israel manteve uma pequena faixa do sul do Líbano para a proteção das cidades do norte de Israel. E sofreu muitas perdas na Faixa de Gaza para que as cidades fronteiriças israelenses não fossem expostas aos ataques terroristas palestinos. E, pelos mesmos motivos que a América trava uma árdua guerra no Afeganistão: Você luta com eles lá, então você não terá que lutar com eles aqui. Mas, sob uma pressão externa esmagadora, Israel está desistindo. Aos israelenses foi dito que as ocupações não eram somente ilegais, mas eram a causa das revoltas anti-Israel e, portanto, a retirada, que seria o motivo, traria a paz.

Terra por paz. Lembram-se? Bem, durante a última década, Israel entregou terras – evacuou o sul do Líbano em 2000 e deixou Gaza em 2005. O que conseguiu ? A intensificação da beligerância, a intensa militarização do lado inimigo, muitos seqüestros, ataques que atravessam as fronteiras e, lançados de Gaza, anos de implacáveis ataques de foguetes.

(2) Defesa pró-ativa: Israel, então teve que mudar para uma defesa ativa – ações militares para impedir, desmantelar e derrotar (emprestando a descrição do presidente Obama para a campanha dos EUA contra os Talibãs e a al-Qaeda) contra os mini-estados terroristas e pesadamente armados localizados no sul do Líbano e em Gaza depois que Israel se retirou. Quais foram os resultados? A guerra do Líbano em 2006 e ataques lançados de Gaza entre 2008 a 2009. E mais uma avalanche de calúnias pela mesma comunidade internacional que havia exigido as retiradas israelenses com o propósito de terras x paz. E o pior, o relatório Goldstone da ONU, que basicamente criminalizou a operação defensiva de Israel na Faixa de Gaza, enquanto encobriu o ‘casus belli’ – os pesados ataques com foguetes pelo Hamas que precederam a operação – e que efetivamente deslegitimou qualquer defesa pró-ativa por parte de Israel contra os seus autodeclarados inimigos que utilizam o terror.

(3). Defesa passiva: Sem a defesa antecipada ou defesa pró-ativa para Israel somente é permitida a forma mais passiva e benigna de todas as defesas - um bloqueio para simplesmente impedir o rearmamento do inimigo. No entanto, nesse exato momento que falamos também está sendo deslegitimado pelas organizações internacionais. Mesmo os Estados Unidos agora está tendendo para que o mesmo seja abolido.

Mas, se nenhum destes pontos são permitidos, o que resta?

Ah, mas esse é o ponto. É o ponto que a flotilha rompe-bloqueio com inocentes úteis e simpatizantes do terror, pela organização testa-de-ferro turca que a financiou, pelo coro automático anti-Israel do Terceiro Mundo nas Nações Unidas e pelos preguiçosos europeus que não mais querem saber do problema judaico.

O que mais resta? Nada. O ponto central desta campanha implacável internacional é privar Israel de qualquer forma legítima de autodefesa. Por que, na semana passada, a administração Obama se juntou aos chacais, e inverteu uma prática de quatro décadas seguida pelos EUA, assinando um documento de consenso que coloca o foco em Israel por possuir armas nucleares? – e assim deslegitimar a última linha defesa de Israel: a dissuasão. É, parece que o mundo está cansado desses judeus incômodos, 6 milhões - esse número mais uma vez – ao lado do Mediterrâneo, a cada convite se recusando ao suicídio nacional. E por isso são incansavelmente demonizados, restritos a guetos e impossibilitados de se defenderem, até mesmo quando os mais empenhados anti-sionistas – o Irã, em particular - abertamente prepara uma solução mais definitiva.



letters@ charleskrauthammer.com

© 2010 The Washington Post Company

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A QUEM INTERESSA?
Maria Lucia Victor Barbosa
30/05/2010

O presidente Lula da Silva, que há dois anos usa e abusa do poder político e econômico fazendo campanha antecipada para sua candidata, afiançou com a certeza de um píton referindo-se a Dilma Rousseff: “nós vamos ganhar”.
Difícil saber se tal acontecerá, em todo caso, essa certeza absoluta do presidente da República em parte justifica os estapafúrdios fatos que vêm ocorrendo, tanto na política interna quanto externa do País. E como se Lula da Silva e seu partido sentissem que tudo podem, pois pairam acima das leis e são amparados pelo enorme prestígio presidencial que aparece nas pesquisas de opinião.
Disse, em parte, porque tal certeza não estaria também alicerçada no respaldo de forças globais? Não seríamos tão-somente uma das peças de um jogo mais amplo nesse mundo onde tudo se interliga? Vivemos a era do Foro de São Paulo, da UNASUL, da OEA do B, Da Via Campesina e de tantas outras entidades que formam um conglomerado político-econômico em oposição a outros, como se a dicotomia esquerda, direita ainda vigorasse ressuscitando as viúvas do pós-Muro de Berlim.
Na política interna relembro, por exemplo, o Plano de Direitos Humanos lançado por um grupo de mentores presidenciais, apresentado como plano do governo Rousseff e rapidamente transformado em decreto assinado pelo presidente da República. Nesse Plano o PT esquerdista e raivoso de outros tempos arregaça os dentes contra a propriedade, a Justiça, a Igreja, a liberdade de pensamento. Algo impróprio numa campanha, pois torna a candidata uma figura ainda mais assustadora, não para o povo em geral que desconhece esse tipo de assunto, mas para algumas importantes instituições sociais que interferem como formadoras de opinião nas opções eleitorais.

Na desastrosa política externa, gestada na mente de Marco Aurélio Garcia e que tem como coadjuvante Celso Amorim, um dos objetivos, dizem, é fazer do Brasil potência mundial acima de todas as demais e sentar Lula da Silva num cargo de relevância planetária depois que ele deixar a presidência da República. Outra meta obsessiva é a conquista do assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Porém, é de se estranhar que o PT pretenda concretizar essas megalomaníacas ambições batendo de frente com os Estados Unidos, Europa, China, como está acontecendo no caso do Irã. Isto porque, se internamente Lula da Silva é exaltado como “salvador do mundo” (ele gosta de se comparar a Jesus Cristo), para uso externo o esdrúxulo apoio lançou desconfiança sobre o Brasil que dá total suporte a Mahmoud Ahmadinejad, tirano que ganhou eleições sob a suspeita de fraude, tem perseguido, torturado, matado dissidentes e minorias sociais, mantém a obsessão de destruir Israel e de construir um arsenal atômico, sabe-se lá com quais pretensões de dominação.
O fato é que ninguém governa sozinho, ou faz o que bem entende. Tampouco Lula da Silva comanda o espetáculo mundial, regional e nacional, como dita sua propaganda. Ele é apenas, digamos, um animado clown que dá cambalhotas e faz a platéia rir. Só que a platéia internacional já não está achando tanta graça no piadista e sorridente brasileiro.
Assim, é sensato perguntar: A quem interessa a política ditada pelo Itamaraty? Que forças mundiais se aglutinam para fortalecer o segmento da América Latina comandado por Hugo Chávez? Quem de fato deseja enfraquecer potências mundiais como os Estados Unidos, Israel e outros países democráticos? Com quais poderes obscuros nosso país está em consonância? Por que o Brasil se expõe dessa maneira, desgastando-se internacionalmente? Será que alguém duvida que existam processos que desembocam na união de interesses de domínio, nos quais, nós, pobres mortais, nem sonhamos interferir? Será que até aqueles que possuem lustros de educação formal se esqueceram da existência tenebrosa dos totalitarismos do século passado, comunismo e nazismo?
Outro ponto importante: não apenas bombas destroem países. Essas têm efeitos imediatos e devastadores. Mas há outros meios de atingir, desorganizar, destruir uma sociedade é um deles é a droga, uma das causas da violência social e da desagregação do tecido social.
Nesse sentido, o candidato José Serra tocou num ponto crucial da Segurança brasileira ao se referir á enorme quantidade de cocaína que sai da Bolívia sob as vistas grossas de Evo Morales e entra no Brasil. Também é preciso lembrar que as terroristas Farc, compostas de narcotraficantes, já estão comodamente instaladas entre nós.
Ao alerta de José Serra, Lula da Silva reagiu ao seu estilo, com deboche. Rousseff, conforme sua personalidade, duramente. Disse ela que a atitude de Serra não é a de um estadista. O que será que Rousseff entende por estadista? Por que será que ela defende tão veementemente o tráfico de drogas a guisa de defender o companheiro cocalero? E será que queremos esse tipo de governo para nossos filhos e netos?
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
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domingo, 23 de maio de 2010

LULA, O “BOM AMIGO” E “IRMÃO” DE AHMADINEJAD
Maria Lucia Victor Barbosa
23/05/2010

O presidente Lula da Silva possui como componentes de sua felicidade, primeiro, a fruição das delícias do poder nas quais ele imerge com aquele enorme prazer dos boas-vidas e, segundo, o contentamento que nunca cessa quando se tem uma paixão, sentimento que, aliás, se confunde com obsessão.
A paixão do presidente se concentra em uma meta, o poder, que uma vez conquistado deve ser mantido a qualquer custo. E ele está certo que conservará o domínio através de sua criação política, ou seja, a ex-ministra da casa Civil, Dilma Rousseff, sombra ainda desajeitada do chefe que o marketing, auxiliado por retoques físicos, tenta corrigir e aprimorar
Porém, Rousseff tem algo que nenhum candidato possui: a máquina estatal que fartamente distribui bondades e o padrinho Lula que está todo tempo ao seu lado e estará nos programas eleitorais gratuitos, quer dizer, no palanque eletrônico a partir do qual se consegue influenciar emoções e conquistar corações.
A proteção dada à afilhada é tão grande que é de se perguntar: se ela ganhar, quem governará de fato? A autoritária e dura senhora Rousseff ou o esperto Lula da Silva que concebeu um jeitinho bem brasileiro de obter o terceiro mandato sem se parecer demais com seu querido companheiro e ditador de fato da Venezuela, Hugo Chávez?
Mas o ambicioso Lula quer muito mais. Além de manter os cordéis internos do poder quer ser um dos senhores da “nova desordem mundial”. Para satisfazer sua flamejante paixão trabalham incessantemente assessores também interessados em conservar aqueles privilégios só permitidos aos que alcançam o cume iluminado da montanha dos poderosos.
Com relação à política externa, além da obsessão da diplomacia brasileira pelo assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, entraram em cena outras ambições: a chefia do Banco Mundial ou, principalmente, a secretaria-geral da ONU. Afinal, com bons tradutores o presidente que mal fala português poderia continuar na ONU a contar piadas, fazer gracejos, dar mancadas, viajar bastante e, especialmente, abrir caminho para a “nova desordem mundial” ao lado de companheiros ditadores da pior espécie e ditos de esquerda, os mesmos com os quais ele tem se confraternizado.
A política externa brasileira tem sido uma sucessão de erros e fracassos, pois até agora o Brasil perdeu todos os cargos internacionais que pleiteou. Dirão alguns, que não é bem assim, pois pelo menos Lula da Silva tem sido bastante premiado. Contudo, dizem as más línguas, que tal sucesso é obtido por meios bastante custosos. Além do mais, não está muito claro se o encanto que países importantes sentiram inicialmente pelo folclórico Lula da Silva ainda se mantém.
Um dos fiascos que ensejou o começo do desencanto aconteceu no episódio da intromissão em Honduras, quando em conluio com Hugo Chávez o governo brasileiro apoiou Zelaya e o hospedou por meses na embaixada brasileira. Mas essa aventura em vez de desanimar levou o mentor de nossa política externa, Marco Aurélio Garcia, a sonhar com vôos mais altos. Na sua utopia Lula da Silva deve ser o grandioso mediador de conflitos mundiais, o luminoso líder capaz de resolver todos os graves problemas que anos de esforços diplomáticos de outros experientes governos não conseguiram. Assim, Lula promete que vai dar solução aos complexos conflitos entre israelenses e palestinos.
Mas essa chibantice não basta. Ele tem que provar que é melhor do que os governantes das grandes potenciais mundiais, notadamente, dos Estados Unidos. E, por isso, vai ao Irã, assim como o premiê turco, Recep Tayyip Ergodan, que atropelou o presidente brasileiro ao anunciar em primeira mão que um acordo sobre o programa nuclear iraniano fora alcançado em negociações nas quais o Brasil participara.
Já Ahmadinejad bajulou Lula ao dizer que este é seu “bom amigo” e “irmão”, que “Brasil e Irã compartilham valores morais”. “Somos contra a discriminação, o preconceito, a agressão a tirania” disse o astucioso iraniano. Mas, enquanto ele destilava sua hipocrisia, dissidentes eram presos, torturados, enforcados, minorias religiosas perseguidas, como os bahais, assim como outras minorias sociais, sem falar na situação das mulheres que regrediu ao século treze.
Depois de muito foguetório, porém, o tal acordo sobre o programa nuclear iraniano se mostrou uma farsa, pois logo depois de assinado disse um porta-voz da Chancelaria iraniana que o país continuará a enriquecer urânio. Quanto as sanções em estudo a serem impostas por outros países levaram Ahmadinejad ao riso e ao deboche, pois ele conhece bem as artes e manhas de como burlá-las conforme seu hábito. E assim, lá para 2013, calcula-se que o iraniano poderá ter sua sonhada bomba atômica cujo primeiro alvo, conforme sua idéia fixa deverá ser Israel.
Tudo isso significa que Lula da Silva deve estar muito orgulhoso de sua valiosa colaboração a tão importante projeto de destruição em massa, assim como de poder participar da “nova desordem mundial” pretendida pelo “irmão” Ahmadinejad. Isso se sobrar alguma coisa.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
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terça-feira, 4 de maio de 2010

MÃE DO PAC: DADIVOSA OU CASTRADORA?

Maria Lucia Victor Barbosa

04/05/2010



Durante muitos anos o PT construiu, retocou e inflou uma única figura com o propósito de se alçar junto com ela ao poder mais alto da República. Tratava-se do sindicalista Luiz Inácio da Silva que, posteriormente, adicionou ao seu nome o apelido Lula.

Nordestino que se fez politicamente em São Paulo, homem de origem simples, parco em letras, mas dotado de exuberante verborragia e linguajar popularesco era a imagem ideal a se encaixar num partido que se dizia de esquerda. E, assim, nasceu o mito do representante dos pobres e oprimidos no papel de salvador da pátria, do “proletário” versus o patrão explorador, do paladino da luta de classes.

Depois de breve passagem pela elite da classe operária como metalúrgico Luiz Inácio passou viver de política sem grandes problemas de sobrevivência, pois até casa um companheiro lhe fornecia.

O PT logrou eleger seu “proletário” deputado federal, cujo desempenho foi medíocre. Mas a meta era mais ambiciosa e, finalmente, na quarta eleição presidencial, a cúpula sindicalista do PT foi ao paraíso. Para trás ficou a ideologia, a classe operária, a propalada ética. Se tinha vindo para mudar o PT fez igual ou pior do que os governos anteriores que duramente criticara. Tornou-se como os demais um partido não de esquerda ou de direita, mas do lado de cima. E o deslumbramento foi tanto que um a um de seus quadros, que poderia suceder ao salvador da pátria ao término de seus mandatos, despencou sob o peso de pesadas denúncias carregadas de escândalo de corrupção.

Sem sucessor a criatura dominou o criador. Já não era Luiz Inácio que dependia do PT para existir, mas, sim, os petistas é que estavam ligados de forma inexorável á única pessoa capaz de manter privilégios alcançados e intrinsecamente ligados ao poder. Desse modo, fez-se a obediência total ao “líder” com algumas cenas de servilismo total e abjeto.

Sem alternativas dentro do partido, Luiz Inácio impôs a candidatura de Dilma Rousseff, sucessora na Casa Civil do todo-poderoso José Dirceu que poderia ter sido o candidato ideal após o período Luiz Inácio. Contudo, como outros companheiros, José Dirceu, chamado por uma autoridade do Judiciário de “chefe da quadrilha do mensalão” e deputado cassado foi obrigado a se recolher em atividades de cunho particular sem, é claro, abrir mão do comando à sombra.

Mulher por mulher para ser presidente, o plano petista possivelmente havia previsto Marta Suplicy. Porém, Marta perdera duas vezes as eleições para prefeita de São Paulo e pior, nas duas vezes fora em vão apoiada por Luiz Inácio. Então, algum marqueteiro inspirado soprou nas orelhas presidenciais que sobrara Dilma Rousseff. Que fosse ela a escolhida para formar o par perfeito com o pai dadivoso e amantíssimo, uma espécie de santificado padim padi Ciço. Pai e mãe, que mais poderia agradar tanto ao povo criança do Brasil, que sente a necessidade de ser tutelado? E assim nasceu a imagem da mãe do PAC.

Se a estratégia de conquistar votos em si foi boa, a teoria na prática é outra. Vestir na mulher de fala dura e arrogante, modos viris, carranca denotando constante mau humor a fantasia do eterno feminino de doçura, tolerância e sedução, era tarefa que nem Duda Mendonça, que esculpiu o “Lulinha de paz e amor”, seria capaz de fazer.

Além do mais, existe uma ambigüidade na figura materna, que foi bem analisada por Gérard Mendel na obra La Revolte contre le pére, une introduction à la sociopsychanalyse. Menciona o autor “a mãe arcaica, fonte de todos os dons, mas também de todos os males (a mãe cruel, Medéia devoradora dos filhos)... Essa mãe é, portanto, castradora”.

Por suas atitudes e palavreado, pela falta de empatia, Dilma está mais para Medéia. Então, para ocultar a verdadeira personalidade da candidata presidencial os marqueteiros tentam fazer dela a sombra do pai patriarcal, Luiz Inácio, a mulher submissa ao seu senhor, aquela que vive em função dele, que o chama de chefe, que não diz duas palavras sem mencioná-lo, enfim, uma criatura despersonalizada.

Ao mesmo tempo, Rousseff seria uma cópia feminina do pai Lula, típico machão latino-americano que faz sucesso dizendo palavrão, contando piadas pesadas, gracejando o tempo todo como se o Brasil fosse um enorme bar onde ele se sentisse à vontade entre companheiros.

Nessa caricatura de si mesma Dilma Rousseff parece perdida, vacilante, confusa, passando a imagem de incompetência política. Nem a plástica nem os demais retoques físicos a que se submete poderiam mudar sua personalidade. Desse modo, a falsa imagem da candidata é um desastre.

Poderá Rousseff ganhar a eleição? Tudo é possível, sobretudo, quando se leva em conta que tem a seu favor a máquina estatal, eficiente em compra de votos através das bondades presidenciais. É um poderio ilegal, descomunal, antidemocrático que nenhum outro candidato dispõe. Sim, ela poderá ganhar, mas depois não se queixem os eleitores, porque onde Dilma passar nem grama vai crescer.

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domingo, 21 de março de 2010

GEOPOLÍTICA DA VERGONHA
Maria Lucia Victor Barbosa
21/03/2010

Um dia disseram a Lula da Silva que ele mudaria a geopolítica mundial. A idéia megalômana era a de projetar em curto prazo o Brasil como potência que ultrapassasse as existentes, especialmente, os Estados Unidos.
De imediato o presidente da República encampou a inebriante sugestão e assumiu o papel de super-homem também a nível internacional. Para uso interno já lhe havia sido construída a imagem de super-herói com traços divinizados, pois o Brasil, segundo a lenda da propaganda, se divide entre antes e depois de Lula da Silva.
Naturalmente, foram planejadas eficientes estratégias que culminaram no atual estado de coisas de total alienação popular, domínio dos partidos políticos, do Legislativo, do Judiciário e das instituições. Importante também a manutenção do poder, algo projetado para no mínimo vinte anos conforme sempre apregoou o sempre todo-poderoso José Dirceu.
A meta está focada em destruir o Estado de Direito democrático que inclui as liberdades civis, entre elas a de pensamento e de mercado, e os direitos humanos. Provém daí o estridente antiamericanismo que, na América Latina tem em seus expoentes os irmãos Castro, Hugo Chávez e seus satélites e, porque não, Lula da Silva que ultimamente tem aumentado tom e ritmo das provocações aos Estados unidos.
Note-se que na política externa, orientada basicamente por Marco Aurélio Garcia, o Brasil tem se posicionado a favor da escória mundial. Desse modo, nosso país tem vergonhosamente se calado sobre as violações de direitos humanos em Cuba, no Irã, na Coreia do Norte, no Sudão, no Congo, em Sri Lanca.
Acrescente-se que o presidente da República fica à vontade quando se trata de ir à Venezuela fazer campanha para Chávez e outros vizinhos que são companheiros. Porém, se absteve de comparecer á posse do presidente eleito no Chile, Sebastián Piñera, anatematizado por ser de direita.
O Brasil violou a soberania da pequena e valente Honduras, introduzindo na embaixada brasileira, a mando de Hugo Chávez, o defenestrado Manoel Zelaya. Lula da Silva tem visitado e apoiado ditadores africanos, mas o espetáculo mais vergonhoso aconteceu durante sua última viagem à Cuba, quando protagonizou espetáculo deprimente ao confraternizar alegremente com os ditadores Castro, enquanto o corpo martirizado do dissidente Orlando Zapata esfriava no caixão. Ao mesmo tempo, o presidente brasileiro fez ouvidos moucos às súplicas dos dissidentes cubanos, defensores da liberdade, e os rotulou de bandidos. Certamente, o super-homem que contém o vírus da paz e do diálogo, classificará também as damas de branco, que em Cuba foram às ruas em protesto pacífico em nome da liberdade, de bandidas.
Mas nosso super-homem não pode parar. O mundo o espera para continuar a girar. Então, partiu em missão na qual as mais importantes autoridades mundiais têm falhado há anos: intermediar um acordo de paz entre israelenses e palestinos, em que pese ambos os lados ter afirmado que não lhes interessa tal mediação. Mas o fantasma do cubano Orlando Zapata Tamayo parece assombrar Lula da Silva, pois sua passagem pelo Oriente Médio converteu-se num novo fiasco.
Em vão governo e oposição israelenses cobraram de Lula apoio as sanções contra o Irã. Como aconteceu com Hillary Clinton durante sua visita ao Brasil, ele demonstrou inabalável fidelidade ao amigo e aliado, Mahmoud Ahmadinejad. E fez mais para afrontar o povo judeu: se recusou a depositar flores no túmulo de Theodor Herzl, fundador do sionismo, portanto, defensor da autodeterminação dos judeus através de um Estado próprio. O insulto foi mais uma brilhante idéia de Marco Aurélio Garcia, que avaliou a solenidade como uma contradição a posição brasileira pró-palestinos.
Como compensação ao desacato, Lula colocou uma coroa de flores no memorial do Museu do Holocausto, em Jerusalém, enquanto repetia em performance shakesperiana: “nunca mais, nunca mais, nunca mais”. O desempenho teatral, contudo, não o impede de ser aliado de Ahmadinejad que nega o Holocausto e prega obsessivamente a destruição de Israel.
Após a passagem por Israel, Lula da Silva se encontrou com o presidente da autoridade palestina, Mahmoud Abbas. Muito a vontade, subiu o tom contra a expansão dos assentamentos, pregou a derrubada do muro construído por Israel nas suas fronteiras com a Cisjordânia como medida defensiva e aproveitou a crise entre Israel e Estados Unidos para de novo se oferecer como mediador dos conflitos e até conversar com o grupo terrorista Hamas. Colocou flores no túmulo de Yasser Arafat para marcar a diferença.
Lula da Silva não chegou num bom momento em Cuba nem em Israel. Em maio fará mais uma viagem, desta vez ao Irã. Se no dia de sua chegada, mais opositores ao governo de Ahmadinejad estiverem sendo enforcados, saberemos se a sorte do “cara” acabou ou não de vez como líder de uma nova e vergonhosa geopolítica mundial.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
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quarta-feira, 10 de março de 2010

CINISMO EXPLÍCITO

Maria Lucia Victor Barbosa

10/03/201O



O presidente da República é um homem de sorte incomensurável. Deixou a vida o levar e o destino lhe foi radiosamente propício. Somente um pequeno azar obscureceu mês passado, de modo fugaz, seu prestígio internacional, nada que os terremotos que abalaram o Chile não pudessem providencialmente distrair as atenções da rápida urucubaca ocorrida em Cuba quando foi ofertar generosos US$ 300 milhões de dólares ao seu ídolo Fidel Castro, contribuição que será paga por nós, contribuintes brasileiros.

Justamente em 23 de fevereiro, dia em que Luiz Inácio aportava eufórico nos braços dos queridíssimos irmãos Castro, um cubano negro, operário, “preso de consciência”, de nome Orlando Zapata Tamayo, teve o mau gosto de morrer depois de ter sido torturado nas masmorras cubanas e enfrentado uma greve de fome com meio de pedir condições humanas para os demais encarcerados e liberdade para seu país.

O martírio de mais um cubano nem de longe poderia incomodar os irmãos Castros acostumados a esse tipo de morte para eles insignificante e rotineira. Entretanto, um grupo de dissidentes cubanos que esperavam que Luiz Inácio intercedesse por eles, tendo enviado uma carta nesse sentido ao governo brasileiro, devem ter se desiludido com a indiferença do “cara”, suas esquivas, suas palavras sem nexo. E mais decepcionados ainda devem ter ficado se puderam ver a foto de Luiz Inácio junto aos Castro.

Na fotografia estampou-se a imagem de um Luiz Inácio esbanjando largo sorriso eufórico, rosto delirante de júbilo, face mais arredondada por irradiante felicidade, um deslumbramento abjeto diante do grande companheiro Fidel enquanto o corpo martirizado de Orlando Zapara Tamayo esfriava no caixão e outros dissidentes eram presos.

A cena, para quem tem um mínimo de sensibilidade e capacidade de indignação, era algo vil, torpe, nauseante. Um show explícito de cinismo do déspota de Cuba irmanado ao salvador da pátria brasileiro. Aviso sinistro para os ingênuos que acreditarem no seletivo Programa de Direitos Humanos elaborado pelo PT, a ser posto em prática pela comissária de Luiz Inácio.

Luiz Inácio culpou Tamayo por sua morte. Marco Aurélio Garcia comentou com ares de enfado que violações de direitos humanos têm em toda parte. E Raúl Castro, depois de por a culpa nos Estados Unidos, afirmou: “Em meio século não assassinamos ninguém, aqui ninguém foi torturado”.

Nesse momento em que escrevo outro dissidente, o jornalista Guilhermo Fariñas, está em greve de fome e se dizendo disposto a morrer para honrar Orlando Zapata Tamayo. Recorde-se, então, de maneira sumária, dado o pequeno espaço de um artigo, como funcionam os direitos humanos em Cuba. Os dados foram pesquisados na obra “O Livro Negro do Comunismo”:

Desde 1959, mais de cem mil cubanos foram presos. Entre 15.000 e 17.000 pessoas foram fuziladas.

A Unidade Militar de Apoio à Produção (UMAP) funcionou entre 1964 e 1967. Produziu verdadeiros campos de concentração para onde eram levados religiosos católicos (como o arcebispo de Havana, Monsenhor Jaime Ortega), protestantes, homossexuais e quaisquer indivíduos considerados “potencialmente perigosos para a sociedade”. Maus tratos, isolamento, subalimentação era o regime dos campos da UMAP.

No violentíssimo regime penitenciário cubano, inclusive, são exploradas as fobias dos detidos. À tortura física se junta a tortura psíquica. As celas não costumam ter água nem eletricidade e o preso que se pretende despersonalizar é mantido em completo isolamento.

Entre as mais tenebrosas prisões cubanas pode ser citada a de Cabana. Em 1982 cerca de cem prisioneiros foram ali fuzilados. A “especialidade” de Cabana eram as masmorras de dimensões reduzidas chamadas de ratoneras (buracos de ratos). Cabana foi desativada em 1985, mas as torturas e execuções prosseguiram em Boniato, prisão de alta segurança onde reina violência sem limites.

No universo carcerário de Cuba a situação das mulheres não é menos dramática. Mais de 1.100 mulheres foram condenadas por motivos políticos desde 1959. As presas, entregues ao sadismo dos guardas passam por sessões de espancamento e humilhações de todos os tipos.

Muito mais se poderia apresentar sobre “direitos humanos” em Cuba. Encerremos, porém, com a nova piada do presidente Luiz Inácio. Entrevistado pela Associated Press sobre a existência de mais dissidentes cubanos em greve de fome Sua Excelência saiu-se com essa: “imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo fizessem greve de fome e pedissem a liberdade”?

Como se nota primeiramente, Luiz Inácio concorda com os irmãos Castro no sentido de que presos políticos cubanos são bandidos de alta periculosidade para a sociedade e não defensores da liberdade. Segundo, ele não larga a campanha, pois bandido só em São Paulo. Culpa do Serra, naturalmente.

Luiz Inácio disse ainda, num chiste bastante cínico, que “temos de respeitar a determinação da Justiça do governo cubano de deter as pessoas em função da legislação de Cuba”. Lamentavelmente o presidente do Brasil não se dá ao respeito.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

ICEBERG À VISTA
Maria Lucia Victor Barbosa
23/02/2010

Apesar de se dizer que o Programa de Governo apresentado pelo PT para a candidata Dilma Rousseff nada tem de radical, que não passa de um amontoado de inocentes diretrizes, bem que poderia ter recebido como título: “Rousseff, o Socialismo do Século 19”.
Um dos influentes artífices do Programa foi o chanceler de fato Marco Aurélio Garcia, mentor de nossa desastrada política externa que não fracassa apenas em suas tentativas de obter cargos em organismos internacionais, mas faz feio quando apóia países que afrontam direitos humanos; se intromete onde não deve como no caso de Honduras que resultou em tremendo fiasco para o Brasil; defende eleições fraudadas de tiranetes tipo Chávez ou déspotas como Mahmoud Ahmadinejad o qual, inclusive, recebe total aceitação brasileira no tocante aos seus intentos de explodir o mundo, a começar por Israel.
Imagine-se, então, se Rousseff se sair vitoriosa o que fará Garcia para dar seguimento à obsessão do PT de mudar a geopolítica do planeta. Para tanto, segue-se eliminando a companhia dos melhores e se juntando aos piores. Exemplo do que se fala é o nascimento, na cúpula da Calc (Cúpula da Unidade da América Latina de do Caribe) que está sendo realizada em Cancún, no México, da OEA do B, que exclui Estados Unidos e Canadá. A idéia, não há dúvida, é mais uma consequência da antiga dor de cotovelo latino-americana em relação aos vizinhos desenvolvidos, especialmente, aos Estados Unidos.
Sob as ordens de Lula da Silva o Programa do Governo de Rousseff sofreu algumas modificações de cunho semântico para não ficar muito assustador para as “zelites”. Porém, mesmo tendo se alterado algumas palavras manteve conteúdo totalitário. Além de estatizante, o que foi corroborado pela candidata em discurso, as diretrizes aprovadas contemplam, entre outras coisas: “compromisso com a jornada de 40 horas”; “combate ao monopólio dos meios eletrônicos de informação, cultura e entretenimento e reativação do Conselho Nacional de Comunicação Social”; “atualização dos índices de produtividade das propriedades rurais passíveis de desapropriação, ampliação de restrição de compras de terras por estrangeiros, revogação da MP anti-invasão editada por FHC”; “tributação sobre grandes fortunas”; “apoio incondicional ao Programa de Direitos Humanos”.
Traduzindo: duro golpe na classe empresarial, sobretudo, nos pequenos e médios empresários; censura férrea dos meios de comunicação, o que deve atingir a Internet; golpe mortal no agronegócio, o grande sustentáculo de nossa balança comercial, com previsível expropriação de terras para serem doadas aos sem-terra; punição para a riqueza dos “outros”, é claro.
Quanto ao Plano de Direitos Humanos, coroa e enfeixa o Programa Rousseff. Naquele calhamaço não se poupou afrontas às instituições que antes eram os pilares mais importantes da sociedade: Igreja, Forças Armadas, Mídia, Justiça, além do bombardeio ao direito de propriedade.
Impressiona que estas instituições tenham aceitado ao longo de quase oito anos, com complacência bovina, tudo o que Lula disse e fez junto com seu governo. A propaganda, o culto da personalidade e, sobretudo, nossa cultura permissiva fez pobres e ricos acharem natural impostos escorchantes, corrupção deslavada, Planos fracassados, falta de infra-estrutura, Saúde em condições de descalabro, Educação no fundo do poço em termos de qualidade, deturpação de dados econômicos.
Impressionante mais ainda no momento a falta de reação das instituições que serão frontalmente atingidas se Rousseff conseguir chegar à presidência, deixando-se, então, levar por seus influentes mestres, entre eles, Marco Aurélio Garcia ou apoiadores externos entusiastas como Hugo Chávez que já se colocou à disposição da candidata do companheiro Lula.
Esperto, Lula da Silva minimiza o Programa de Governo de sua afilhada, enquanto análises tranquilizantes ecoam pela imprensa referindo-se ao pragmatismo petista que tomou gosto pelo capitalismo e não quer ver escoar pelo ralo a estabilidade econômica adquirida no governo de FHC. Também o fisiologismo do PMDB, que fará o vice na chapa de Rousseff, acena com alguma possível brecada nos radicalismo petista, mas apenas naquilo que possa atrapalhar os interesses peemedebistas.
Entretanto, alguns sinais inquietantes, como a volta da inflação e a deterioração das contas públicas deveriam deixar as instituições pelo menos mais atentas. De modo algum parece que isso está acontecendo. Ao radicalizar e afrontar à vontade o PT parece sinalizar a certeza de sua continuidade. E é como se dissesse: “se tudo correu facilmente durante oito anos, sem oposições partidárias ou institucionais, agora faremos o que quisermos e seremos de novo aceitos, como se dizia antigamente, “na lei ou na marra”,
De tudo isso se conclui que no momento somos como os alegres passageiros do Titanic um pouco antes do navio bater no iceberg. Haverá tempo e meios de escapar do naufrágio? As urnas dirão.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

OPOSIÇÃO NECESSÁRIA
Maria Lucia Victor Barbosa
12/02/2010

Nos totalitarismos ou nas ditaduras, naturalmente oposições inexistem, pois são características dos regimes democráticos. Segundo C. J. Friedrich e Z. Brzezinski (Totalitarian Dictatorship and Autocracy) o totalitarismo pode ser definido por seis critérios: “ideologia imposta, partido único, terror exercido por política secreta, monopólio das comunicações, monopólio das armas, centralização da economia”. O totalitarismo se encarrega totalmente do indivíduo e abole as fronteiras entre o político e o social.
Ditadura é considerada geralmente como sinônimo de totalitarismo, pois significa o poder absoluto de um homem ou de um grupo que concentra em si todos os poderes. Entretanto, em que pese a semelhança entre os dois sistemas, ditaduras têm caráter mais político, permitindo um determinado grau de liberdade social, como a religiosa, a artística, etc., desde que essa liberdade não afronte o poder do ditador. Para explicar melhor, Hitler reinava sobre toda a sociedade, Getúlio Vargas sobre o Estado.
A tentação totalitária ou ditatorial sempre existe no exercício da autoridade e isso aparece na análise clássica dos autores liberais como Locke e Montesquieu, sendo que este escreveu no O Espírito das Leis: “Qualquer homem que dispõe de poder é levado a abusar desse poder; irá até onde encontrar limites”.
Justamente nos regimes democráticos é que se encontram esses limites, na medida em que a democracia pressupõe, além da igualdade de oportunidades, a rotatividade de poder através de eleições livres; o multipartidarismo; as liberdades políticas e sociais; a oposição dos grupos de interesse e de pressão; a oposição partidária ao governo que pode compor-se de coalizões; o componente normativo que chamamos de Constituição, lembrando que só através das leis é possível coibir excessos dos governantes e dos cidadãos.
Hoje vemos curiosos sistemas que simulam democracias pelo fato de neles haver eleições. É o caso da Venezuela, onde uma constituição feita por Hugo Chávez à sua imagem e semelhança o torna ditador de fato, apesar de ter sido eleito. Chávez pode-se dizer, instalou no seu país uma democradura.
Quanto a Mahmoud Amadinejad, tornou-se presidente do Irã através de eleições fraudadas e preside uma teocradura, na qual opositores são presos, torturados e mortos. Este perigoso déspota tem contra si quase o mundo inteiro, menos alguns países, entre eles o Brasil que dá todo apoio ao plano do persa de obter a bomba atômica. Só falta Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim dizerem que Ahmadinejad almeja destruir o planeta com fins pacíficos. De todo modo, regimes antidemocráticos acabam acumulando erros e falhas de gestão por não aceitarem ser esclarecidos pela crítica livre e criativa.
No Brasil se pode notar uma nítida tendência ditatorial ou autoritária do governo, bem expressa recentemente no Programa de Direitos Humanos elaborado por ministros de Lula da Silva, e que foi transformada em decreto devidamente assinado pelo presidente. Entre outras coisas, esse esboço de Constituição de Dilma Rousseff, a candidata do Lula da Silva, atenta contra a liberdade de expressão e a propriedade privada.
A tendência ditatorial do governo petista vai se estendendo com facilidade sem oposições partidárias e institucionais. O mínimo esboço de oposição, como foi o caso do artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, publicado no O Estado de São Paulo (07/02/2010) causou comoção nas hostes do PT. No entanto, diferente dos petistas, FHC critica com luvas de pelica, punhos de renda e maneiras diplomáticas, que diferem dos palavrões e ataques virulentos desferidos por Lula da Silva e seus companheiros. O PT sabe fazer oposição stalinista, rancorosa, violenta e não admite ser contestado, enquanto os tucanos, mornos, apáticos, condescendentes foram apoio muito mais fiel a Lula da Silva do que o de seus próprios correligionários.
Entretanto, as estatísticas do IBGE já demonstram que a melhora dos índices sociais e econômicos brasileiros é fruto de um processo de anos, iniciado ainda no governo Itamar Franco com o advento do equilíbrio fiscal e inflacionário. Tudo mudou depois dos ajustes do Plano Real. Quanto ao esboço do Programa “Bolsa Família” deu-se em Campinas em gestão do PSDB e seu desenvolvimento foi capitaneado, tempos depois, pela primeira dama Ruth Cardoso. O PT se apropriou dessa bandeira, inflando de forma brutal o “Bolsa Família”. O mesmo aconteceu em relação ao “Orçamento Participativo”, iniciado em Belo Horizonte pelo governo Pimenta da Veiga, na década de 80, o qual o PT também apresenta como realização sua. Fizeram o mesmo com o equilíbrio fiscal e com o controle monetário, chegando a cooptar o deputado do PSDB, Henrique Meirelles, que figura como o maior sustentáculo da política do governo Lula da Silva, no Banco Central.
Entretanto, durante todo o governo de FHC o PT foi oposição implacável contra todas as políticas que depois imitou e chamou de herança maldita. Mas o PSDB calado e tímido sustentou Lula da Silva não deixando que sofresse o impeachment quando do escândalo do “mensalão”. Tucanos, com honrosas exceções, foram omissos como oposição. E não contamos com nenhuma liderança, nenhum partido, nenhuma instituição, nenhum dos Poderes para se opor às deturpações, à corrupção, ao culto da personalidade de caráter autoritário do governo Lula da Silva. Estamos necessitando urgentemente de oposição, sem ela periga nossa frágil democracia.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
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